quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Curiosidades: Tecnologias aplicadas à educação - o computador como ferramenta pedagógica

           Tendo em vista que a tecnologia se tornou parte de nossa sociedade atual - é intrínseca a ela - é fundamental pensarmos uma educação que tenha como parte de suas propostas o trabalho com o uso de tecnologias. Este texto pauta-se no uso do computador, como ferramenta pedagógica no ensino de crianças da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Discutiremos, portanto, alguns aspectos do uso de computadores nas escolas, direcionado às crianças que se encontram neste nível de ensino; caminharemos por questões como as abordagens instrucionista e construcionista, a postura do professor frente às novas tecnologias em sala de aula e expectativas de resultados com o uso adequado do computador como ferramenta pedagógica.
            Com o surgimento da ideia do ensino através da informática, aparecem diferentes abordagens e possibilidades de uso do computador como ferramenta de ensino, tendo como elementos básicos envolvidos no processo o professor, o aluno, o computador e o software – que será explorado pelo aluno, podendo ter o professor como mediador.

1.      As abordagens Instrucionista e Construcionista
Na perspectiva instrucionista, o software vem com uma sequência de atividades a respeito de um conteúdo, que deve ter sido fragmentado e ordenado logicamente, do mais simples para o mais complexo. Ao final de cada etapa, o aluno deve responder uma questão: se a resposta for a esperada, o aluno avançará para etapas mais complexas, caso contrário, voltará a etapas menos complexas até que tenha dominado o conteúdo.
Nesta abordagem, o software “já vem pronto” e o aluno apenas segue o que foi proposto; o programa, então, detém a supremacia do conhecimento. A interação entre o aluno e software acaba sendo menor e sua aprendizagem, menos significativa. Além disso, o software acaba desempenhando o papel de professor, regulando o avanço de cada aluno.
Este tipo de programa não deixa explícito o processo mental que o aluno utilizou para chegar às conclusões que teve, apenas indica erros e acertos; tampouco indica a natureza dos erros do aluno. Isto torna muito mais difícil para o professor acompanhar a atividade dos alunos: se este quiser entender o processo pelo qual seu aluno passou, terá de questioná-lo exaustivamente.  Este, possivelmente é um dos pontos mais negativos desta abordagem; e, diversas vezes, acaba desencorajando o professor.
Já na abordagem construcionista, o software é aberto e o aluno é o responsável por introduzir as informações. Ele utiliza o computador de acordo com seus conhecimentos, programando-o. Se o resultado fornecido pelo computador for o esperado, a atividade está concluída; no entanto, se o resultado foge do esperado, o aluno deve rever todo o processo efetuado, a fim de encontrar seus erros e corrigi-los.
Este tipo de programa é tutorado pelo aluno: ele permite que se navegue livremente, de forma não-linear e de acordo com seus interesses. O aluno coloca as informações no programa a partir de seus conhecimentos, sendo verdadeiramente produtor da informação; ganha um papel mais ativo e, consequentemente, sua aprendizagem torna-se mais significativa.
Para o professor, torna-se muito mais fácil acompanhar o raciocínio do aluno através deste tipo de software, já que todo o esquema mental utilizado pelo aluno fica explícito, sendo visualizado na tela do computador.
No entanto, é preciso ter em mente que os dois tipos de softwares podem trazer muitos benefícios ao processo de aprendizagem do aluno. Não existe um tipo "melhor" do que o outro, é necessário escolher o tipo de acordo com as finalidades e o tipo de atividade que se pretende desenvolver com os alunos.

2.      O professor e as novas tecnologias
 Com a aquisição de novos recursos tecnológicos pelas escolas, o professor vê-se cada vez mais obrigado a fazer uso desses novos recursos em suas aulas. No entanto, a forma como estes recursos são utilizados nem sempre é a mais desejável. Duas reflexões podem ser aqui levantadas: a falta de domínio das novas tecnologias por parte do professor e a metodologia adotada por ele para o uso das tecnologias.
Muitos professores não têm efetivamente o domínio do uso do computador e de suas ferramentas. Em alguns casos, o professor é acompanhado em suas aulas por um monitor especializado em informática, mas que pouco entende do conteúdo trabalhado pelo professor em sala de aula. Como consequência, por vezes o professor se sente desencorajado em continuar o uso dos recursos, sentindo-se inibido frente ao monitor. Uma possível saída para este entrave pode ser que o professor aprenda, ao menos o mínimo necessário, como se faz uso do computador, focando-se no funcionamento do software que será utilizado. Dessa forma, poderá ter mais liberdade e confiança em suas aulas.
Quanto à metodologia adotada pelo professor em sala de aula, ela deve ser revista e adaptada para fazer o melhor proveito possível das tecnologias disponíveis. Diversas vezes, os métodos de ensino permanecem os mesmos, a única coisa alterada é a forma pela qual a aula será apresentada ao aluno: ao invés de giz e lousa, a tela de um computador. Na prática, pouca mudança pode ser esperada quando a postura adotada pelo professor é esta; desta forma o computador não está sendo utilizado como uma ferramenta que possibilita novas experiências, está provendo apenas as experiências que já seriam tidas de qualquer forma, portanto, pode-se esperar o mesmo resultado.
Para uma aula mais significativa, o professor pode pensar meios para incluir o uso dos computadores de uma forma que não simplesmente substitua a aula que seria dada na lousa, mas que traga atividades que complementem o que seria dado, possibilitando novas experiências e aprendizagens. Vale a pena ressaltar que com softwares de qualquer abordagem, seja ela instrucionista ou construcionista, se é possível fazer um bom trabalho, isso depende da forma que o professor conduzirá a atividade.

3.      Considerações Finais
Considerando-se as múltiplas possibilidades que as novas tecnologias trazem, podemos constatar que elas não foram ainda exploradas em sua total potencialidade pela escola como ferramentas pedagógicas, portanto, o grande impacto que poderiam causar na educação ainda não ocorreu.
Entretanto, tais mudanças podem estar por vir. Com professores bem formados e motivados e o auxílio das novas tecnologias, podemos finalmente dar uma educação significativa para nossas crianças, desde os anos mais iniciais do ciclo escolar – que certamente são a base de toda uma vida acadêmica bem sucedida. Poderemos ter aulas mais dinâmicas, que despertem mais o interesse dos alunos, uma vez que este tipo de tecnologia, nos dias atuais, está presente no cotidiano das crianças desde uma idade bastante tenra, sendo, portanto, possível e desejável o uso do computador desde a Educação Infantil.
        Se bem explorado, o uso do computador na educação pode sim contribuir para uma grande mudança: pode-se formar cidadãos mais críticos, construtores do próprio conhecimento. Tais mudanças certamente gerarão reflexos visíveis na sociedade – teremos pessoas mais humanas, que contribuirão para uma sociedade mais justa.



       Por fim, trago o link de um software educativo na perspectiva construcionista e outro na perspectiva instrucionista. O primeiro é indicado para crianças em qualquer nível de ensino, sendo facilmente manipulado por crianças até mesmo em idade pré-escolar; já o segundo, para que se possa fazer uso dele, é necessário que as crianças ao menos conheçam as letras e estejam em início de processo de alfabetização. O site onde eles estão disponíveis tem uma infinidade de softwares e jogos educativos que, se bem explorados pelo professor, podem contribuir para um aprendizado mais significativo para os alunos.


Abraços a todos, 
                                                                Natália Marques

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