Tendo
em vista que a tecnologia se tornou parte de nossa sociedade atual - é
intrínseca a ela - é fundamental pensarmos uma educação que tenha como parte de
suas propostas o trabalho com o uso de tecnologias. Este texto pauta-se no uso
do computador, como ferramenta pedagógica no ensino de crianças da Educação
Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Discutiremos, portanto,
alguns aspectos do uso de computadores nas escolas, direcionado às crianças que
se encontram neste nível de ensino; caminharemos por questões como as
abordagens instrucionista e construcionista, a postura do professor frente às
novas tecnologias em sala de aula e expectativas de resultados com o uso
adequado do computador como ferramenta pedagógica.
Com o surgimento da ideia do ensino
através da informática, aparecem diferentes abordagens e possibilidades de uso
do computador como ferramenta de ensino, tendo como elementos básicos
envolvidos no processo o professor, o aluno, o computador e o software – que será
explorado pelo aluno, podendo ter o professor como mediador.
1.
As
abordagens Instrucionista e Construcionista
Na perspectiva instrucionista, o software vem com
uma sequência de atividades a respeito de um conteúdo, que deve ter sido
fragmentado e ordenado logicamente, do mais simples para o mais complexo. Ao
final de cada etapa, o aluno deve responder uma questão: se a resposta for a
esperada, o aluno avançará para etapas mais complexas, caso contrário, voltará
a etapas menos complexas até que tenha dominado o conteúdo.
Nesta abordagem, o software “já vem pronto” e o
aluno apenas segue o que foi proposto; o programa, então, detém a supremacia do
conhecimento. A interação entre o aluno e software acaba sendo menor e sua
aprendizagem, menos significativa. Além disso, o software acaba desempenhando o
papel de professor, regulando o avanço de cada aluno.
Este tipo de programa não deixa explícito o processo
mental que o aluno utilizou para chegar às conclusões que teve, apenas indica
erros e acertos; tampouco indica a natureza dos erros do aluno. Isto torna
muito mais difícil para o professor acompanhar a atividade dos alunos: se este
quiser entender o processo pelo qual seu aluno passou, terá de questioná-lo
exaustivamente. Este, possivelmente é um
dos pontos mais negativos desta abordagem; e, diversas vezes, acaba
desencorajando o professor.
Já na abordagem construcionista, o software é aberto
e o aluno é o responsável por introduzir as informações. Ele utiliza o
computador de acordo com seus conhecimentos, programando-o. Se o resultado
fornecido pelo computador for o esperado, a atividade está concluída; no
entanto, se o resultado foge do esperado, o aluno deve rever todo o processo
efetuado, a fim de encontrar seus erros e corrigi-los.
Este tipo de programa é tutorado pelo aluno: ele
permite que se navegue livremente, de forma não-linear e de acordo com seus
interesses. O aluno coloca as informações no programa a partir de seus
conhecimentos, sendo verdadeiramente produtor da informação; ganha um papel
mais ativo e, consequentemente, sua aprendizagem torna-se mais significativa.
Para o professor, torna-se muito mais fácil
acompanhar o raciocínio do aluno através deste tipo de software, já que todo o
esquema mental utilizado pelo aluno fica explícito, sendo visualizado na tela
do computador.
No entanto, é preciso ter em mente que os dois tipos de softwares podem trazer muitos benefícios ao processo de aprendizagem do aluno. Não existe um tipo "melhor" do que o outro, é necessário escolher o tipo de acordo com as finalidades e o tipo de atividade que se pretende desenvolver com os alunos.
2.
O
professor e as novas tecnologias
Com a aquisição de novos recursos tecnológicos
pelas escolas, o professor vê-se cada vez mais obrigado a fazer uso desses
novos recursos em suas aulas. No entanto, a forma como estes recursos são
utilizados nem sempre é a mais desejável. Duas reflexões podem ser aqui
levantadas: a falta de domínio das novas tecnologias por parte do professor e a
metodologia adotada por ele para o uso das tecnologias.
Muitos
professores não têm efetivamente o domínio do uso do computador e de suas
ferramentas. Em alguns casos, o professor é acompanhado em suas aulas por um
monitor especializado em informática, mas que pouco entende do conteúdo
trabalhado pelo professor em sala de aula. Como consequência, por vezes o
professor se sente desencorajado em continuar o uso dos recursos, sentindo-se
inibido frente ao monitor. Uma possível saída para este entrave pode ser que o
professor aprenda, ao menos o mínimo necessário, como se faz uso do computador,
focando-se no funcionamento do software que será utilizado. Dessa forma, poderá
ter mais liberdade e confiança em suas aulas.
Quanto
à metodologia adotada pelo professor em sala de aula, ela deve ser revista e
adaptada para fazer o melhor proveito possível das tecnologias disponíveis.
Diversas vezes, os métodos de ensino permanecem os mesmos, a única coisa
alterada é a forma pela qual a aula será apresentada ao aluno: ao invés de giz
e lousa, a tela de um computador. Na prática, pouca mudança pode ser esperada
quando a postura adotada pelo professor é esta; desta forma o computador não
está sendo utilizado como uma ferramenta que possibilita novas experiências,
está provendo apenas as experiências que já seriam tidas de qualquer forma,
portanto, pode-se esperar o mesmo resultado.
Para
uma aula mais significativa, o professor pode pensar meios para incluir o uso
dos computadores de uma forma que não simplesmente substitua a aula que seria
dada na lousa, mas que traga atividades que complementem o que seria dado,
possibilitando novas experiências e aprendizagens. Vale a pena ressaltar que
com softwares de qualquer abordagem, seja ela instrucionista ou
construcionista, se é possível fazer um bom trabalho, isso depende da forma que
o professor conduzirá a atividade.
3.
Considerações
Finais
Considerando-se as múltiplas possibilidades que as
novas tecnologias trazem, podemos constatar que elas não foram ainda exploradas
em sua total potencialidade pela escola como ferramentas pedagógicas, portanto,
o grande impacto que poderiam causar na educação ainda não ocorreu.
Entretanto, tais mudanças podem estar por vir. Com
professores bem formados e motivados e o auxílio das novas tecnologias, podemos
finalmente dar uma educação significativa para nossas crianças, desde os anos
mais iniciais do ciclo escolar – que certamente são a base de toda uma vida
acadêmica bem sucedida. Poderemos ter aulas mais dinâmicas, que despertem mais
o interesse dos alunos, uma vez que este tipo de tecnologia, nos dias atuais,
está presente no cotidiano das crianças desde uma idade bastante tenra, sendo,
portanto, possível e desejável o uso do computador desde a Educação Infantil.
Se bem explorado, o
uso do computador na educação pode sim contribuir para uma grande mudança:
pode-se formar cidadãos mais críticos, construtores do próprio conhecimento. Tais
mudanças certamente gerarão reflexos visíveis na sociedade – teremos pessoas
mais humanas, que contribuirão para uma sociedade mais justa.
Por fim, trago o link de um software educativo na perspectiva construcionista e outro na perspectiva instrucionista. O primeiro é indicado para crianças em qualquer nível de ensino, sendo facilmente manipulado por crianças até mesmo em idade pré-escolar; já o segundo, para que se possa fazer uso dele, é necessário que as crianças ao menos conheçam as letras e estejam em início de processo de alfabetização. O site onde eles estão disponíveis tem uma infinidade de softwares e jogos educativos que, se bem explorados pelo professor, podem contribuir para um aprendizado mais significativo para os alunos.
Abraços a todos,
Natália Marques